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Abrindo o jogo

Nesta coluna serão abordados temas polêmicos com a finalidade de extinguir estereótipos associados às religiões de matriz africana, em especial o candomblé.

Este será o espaço para compreender a religião e desmitificar conceitos. Um canal direto de diálogo entre a sociedade e a Casa de Òsùmàrè. Sem restrições, a coluna vai explicar a cosmovisão do candomblé sobre a diversidade de temas que permeia a formação social.

Periodicamente, um novo artigo será postado, com a proposta de suscitar debates e responder questionamentos.

A Natureza, a Terra e tudo nela existente, é o nosso sagrado. A energia dos elementares essenciais à vida é chamada de Orixás, nossas divindades. De fato, a natureza e todos os seus fenômenos correspondem às nossos Orixás.

Nossos ancestrais aprenderam a evocar essas energias e se beneficiarem dos seus poderes! Por milênios, através de oferendas, os Orixás são cultuados, possibilitando que sejam abertos os canais de intercomunicação entre o humano e o sagrado. As oferendas têm o intuito de presentear, agradar e principalmente mostrar respeito e reverência à natureza, à vida, aos Orixás.

Mister se faz que estas oferendas sejam cuidadosamente apresentadas aos seus destinatários, sob pena de não serem recebidas, sob pena de não permitirem o intercâmbio e a passagem das energias. Esta apresentação, em verdade, deve ser feita por sacerdotes devidamente preparados e principalmente com o conhecimento necessário para não despertar a ira da Natureza!...

O Texto Bíblico do Livro de Ezequiel, no capítulo 28 v 12 a 19 mostra que Satanás era um anjo que se rebelou, posto que queria estar acima de Deus. Em razão disso, o mesmo foi expulso do Éden.

Esta passagem bíblica demonstra o quanto o cristianismo explora a existência do bem e do mal, numa visão maniqueísta, atribuindo todo bem a Deus e todo mal ao demônio, lúcifer, diabo, satanás, ou qualquer outra nomenclatura criada para caracterizar tal entidade.

A referida divisão do mundo entre o bem e o mal, tão difundida há tempos, encontra-se presente também nas mais singelas concepções defendidas pela Igreja Católica. Como exemplo, podemos citar a visão maniqueísta presente na própria concepção da relação sexual. Expliquemos: para os católicos tal prática possui uma única finalidade, a procriação. Desta forma, toda manifestação sexual que não tem este objetivo é interpretada como um dos sete pecados capitais, a luxúria (apego e valorização extrema aos prazeres carnais, à sensualidade e sexualidade; desrespeito aos costumes; lascívia) passível de condenação ao inferno, espaço eterno de sofrimento, comandado pelo mal, tendo o demônio como o seu comandante e sedutor de almas...