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Salvador / BA
Ancestralidade
Conceitos

Na cultura jeje-nagô a vida não se finda com a morte.
Àtúnwa, é o nome dado ao processo divino de existência única: a continuidade da vida.

Olodumarê , o supremo Deus Yorubá no momento do nascimento oferece aos homens um conjunto de forças sagradas que possibilita a vida. São elas:

  • Ara: o corpo físico vindo da lama.
  • Ese: elementos do organismo humano.
  • Okan: coração físico e espiritual - órgão que centraliza o Poder de vida e sede da inteligência, do pensamento e da ação.
  • Ojiji: essência espiritual.
  • Emi: o sopro divino de vida.
  • Ori: a individualidade e a identidade.
  • Odu: o destino e o caminho a ser percorrido.
  • Axé: força movimentadora da vida.
  • Orixá: guardião de cada existência humana.

Todos estes aspectos não morrem...
Voltam as suas origens, isto é, ao Orun, pois pertencem a Olorun
E só ele pode liberá-las.

Estas forças divinas, animaram os antepassados, os ancestrais, as raízes mães do Axé Orixá, ao partirem do Aiyê e voltam ao Aiyê para animar seus descendentes e discípulos.

Esta é a grande responsabilidade de todos que descendem do axé Oxumarê: dar continuidade na obra de nossos antepassados, Pois todos somos animados pelas forças divinas que um dia Animaram nossos ancestrais.

A ancestralidade confirma a imortalidade, pois a vida continua no orun como ancestrais.

Do Orun a ancestralidade a tudo assiste.

No culto de Orixá, Ancestrais significa:

"aqueles que um dia tiveram a energia de vida no Aiyê e que cuja energia de vida é repassada as novas gerações, garantindo a continuidade da vida e do culto aos Deuses Africanos. "

Como conclusão a vida presente depende da vida passada de nossos ancestrais.

Mojubá.

A Ancestralidade do Ile Axé Oxumare
Ancestralidade
Ouça no vento
O soluço do arbusto:
É o sopro dos antepassados.
Nossos mortos não partiram.
Estão na densa sombra.
Os mortos não estão sobre a terra.
Estão na árvore que se agita,
Na madeira que geme,
Estão na água que flui,
Na água que dorme,
Estão na cabana, na multidão;
Os mortos não morreram...
Nossos mortos não partiram:
Estão no ventre da mulher
No vagido do bebê
E no tronco que queima.
Os mortos não estão sobre a terra:
Estão no fogo que se apaga,
Nas plantas que choram,
Na rocha que geme,
Estão na casa.
Nossos mortos não morreram.

Birago diop
(poeta africano)

Poema dedicado ao Babalorixá Antonio de Oxumare

Nezinho de Ogun

Nezinho de Ogun

Ikú ayè, a kí ì bo òrun!
Mo júbà re
Salve Ikú, nós o saudamos e
Cultuamos no Orun!
Meus respeitos
Biografias
Iyalorixás e Babalorixás do Ile Axé Oxumare
Babá Antonio de Oxumare
Fundador do Ile Axé Oxumare.
Sabe-se que era escravo / crioulo - filhos de escravos africanos nascidos no Brasil. Foi criado por tio Salacó filho de Xangô e foi filho de santo de velhas africanas. Batizado com o nome Antonio Manoel do Bonfim.
Era conhecido como Antonio das Cobras.
Citações bibliográficas indicam Antonio de Oxumarê como respeitado Babalorixá após 1875, ano então, que se presume ter vivido, portanto a casa de oxumarê tem raízes no século XIX.
Era também conhecido pelo apelido de "cobra encantada", em virtude do seu poder como "feiticeiro".
Seu Antonio de Oxumare transferiu a sede do terreiro para o atual local que antes era conhecido como mata escura ou linha 15 (trem).
Não há evidências biográficas.

Iyá Cotinha de Yewá

Cotinha de Yewá

Iyá Cotinha de Yewá

Chamava-se Maria das Mercês dos Santos e era filha de santo do Babalorixá Antonio de Oxumare por quem foi iniciada aos 13 anos de idade.
Irmã biológica de Hilário Bispo de Santos que futuramente terá grande importância para a Casa de Oxumare.
Sabe-se que em 1937, surgiu a união das casas afro-brasileiras em Salvador/BA, uma espécie de federação que visava registrar e fiscalizar os terreiros.
Iyá Cotinha de Yewá recusou-se a registrar a Casa de Oxumare.
O argumento mais provável desta recusa foi de que Iyá Cotinha de Yewá temia expor a casa de santo e sofrer perseguições do poder público baiano uma vez que na época o Candomblé era uma religião perseguida e discriminada.
Tal acontecimento caracteriza que Casa de Oxumare na década de 30, já estava em atividades.
Casada com sr. Arsênio - Ogán da Casa Branca/Ogán de Oxoguian de Iyá Massi.
Possuía um temperamento tímido e calado. Os antigos, portanto, contam que Yewá resolveu estes problemas, tomando muitas vezes a frente da casa de Oxumarê quando necessário.
Yewá era irreverente, sabia comandar e não tinha "papas na língua", diziam os antigos.
Seu primeiro barco foi composto:
  • Dona Baiana - Oba Tosi, que morre com 102 anos;

  • Maria da Neves da Encarnação - Oyá Biyi;

Iniciou várias yawôs e ogáns, entre eles podemos citar:
  • José Bispo dos Santos - muito conhecido em São Paulo e em todo o Brasil como Pai Bobó;

  • Teodora de Yemanjá - Iyalorixá muito famosa no Rio de Janeiro;

  • Nair de Oxalá - irmã de Iyá Teodora;

  • Egbomy Menininha - mãe de Iyá Teodora;

  • Francelina de Ogun;

  • Dona Miudinha da Oxun;

  • Simplícia de Ogun;

  • Ogán de Yewá: urbano, que morre em janeiro de 2001;

  • Ogán Cadú - Ogán de Yewá: também falecido recentemente;

  • Ogán Garrincha - Ogán de Yewá;

  • Maria Silvia de Assis - Ekeji Mariazinha de Oxalá;

  • Tomazia de Oxun;

  • Ogán Paizinho - Ogán de Yewá / Otun |labê;

  • Ogán Manoel - Ogán de Yewá / Osi Alabê;

  • Ogán Possidonio - Ogán de Yewá / Alabê;

  • entre outros.
Morre em julho de 1947.
Iyá Francelina de Ogun

Francelina de Ogun

Iyá Francelina de Ogun

Filha de santo de Iyá Cotinha de Yewá.
Uma ebomy de muitas posses e bem sucedida financeiramente. Gostava muito de jóias e as possuía em grande quantidade.
Comandou Axé Oxumare de 1947 a 1954.
Abdicou do cargo de Iyalorixá, passando o comando para sua irmã de santo e afilhada de crisma Simplícia de Ogun.
Acredita-se que a abdicação ocorreu para a Casa de Oxumare não sofresse desgastes e conseqüências com sua morte.

Iyá Simplícia de Ogun

Simplicia de Ogun

Iyá Simplícia de Ogun

Filha de santo de Iyá Cotinha de Yewá e depois sua cunhada, pois vem a se casar com Hilário Bispo dos Santos, irmão biológico de Iyá Cotinha de Yewá.
Era filha biológica de Maria da Neves da Encarnação - Oyá Biyi e foi iniciada aos 14 anos de idade em 1936. Nasceu em 18 de setembro de 1922(?)
Chamava-se Simpliciana da Encarnação e era conhecida como Simplícia do Ogun - Ogun Dekisi.
Vovô Hilário - como era conhecido-, seu esposo, era um homem muito trabalhador e um empreiteiro respeitado em Salvador, mas possuía forte temperamento.
Contribuiu muito com a manutenção, sustento e ampliação da Casa de Oxumare e sua fama de homem bravo também contribuiu para a moralidade e disciplina do terreiro.
Herda o trono da Casa de Oxumarê de sua irmã de santo e madrinha de crisma Iyá Francelina de Ogun em 1954, com 38 anos de idade.
Seu primeiro ato foi o Amalá de Xangô em 1954 e sua primeira festa foi a Festa de Ogun em 20 de maio de 1955.
Iniciou 44 yawôs, entre eles podemos citar:
  • Filhinha do Ogun, sua primeira yawô

  • Deusuíta - dofona.

  • Leonor de Oxumarê;

  • Ana de Ogun;

  • Nilza de Ogun;

  • Dó de Ossayin;

  • Cotinha de Oxalá;

  • Elizabeth de Oxalá;

  • Deusuíta de Omolu;

  • Pérsio de Xangô;

  • Ana Laura de Ogun;

  • Duzinha de Nanã;

  • Bentinha de Ogun;

  • Rosinha de Obaluaiyê;

  • Zezé de Obaluaiyê;

  • Valquíria de Oxun;

  • Doroti de Yansan;

  • Ekeji Angelina de Oxossi;

  • Entre outros.

Teve cinco filhos: Jutaí Bispo dos Santos, Tânia Maria Bispo da Encarnação, Nilton Bispo dos Santos, Nilzete Austriquiliano da Encarnação e Erenilton Bispo dos Santos, todos iniciados no Axé Oxumarê.
Como uma de suas poucas lembranças deixou uma fotografia aonde aparece servindo o Presidente da República Getulio Vargas, documento que comprova a proximidade da Iyalorixá com o Chefe de Estado, momento em que este oferece a oportunidade de algum pedido pessoal a Iyá Simplicia como elogio pela boa qualidade da comida.
Iyá Simplicia não hesita e pede ao chefe da nação
"liberdade de culto ao candomblé".

Morre em 1967, aos 51 anos de idade, depois de 13 anos de chefia no Axé Oxumarê, vitimada de um mau súbito cardíaco.
Iyá Dona Miudinha de Oxun
Filha de santo de Iyá Cotinha de Yewá herda a Casa de Oxumarê após a morte de sua irmã de santo Iyá Simplícia de Ogun.
Era conhecida como Omifunké.
Não ocupou o cargo por motivos pessoais.
Iyá Nilzete de Yemanjá

Nilzete de Yemanja

Iyá Nilzete de Yemanjá

Chamava-se Nilzete Austriquiliano da Encarnação.
Egbomy Nilzete de Yemanjá como era conhecida. Nascida em 29 de fevereiro de 1939.
Foi a Iyalorixá mais conhecida da Casa de Oxumare.
Filha biológica de Iyá Simplícia de Ogun, assume o comando do Axé Oxumare em 1974.
Foi iniciada pelo Babalorixá Manoel Cerqueira de Amorin, Nezinho de Ogun, Ogun Cobé, em 15 de dezembro de 1965.
De temperamento reservado, tímido e muito calado, gostava de ficar no anonimato, mas esta forma de ser acabava destacando-a mais ainda.
Como anfitriã era sorridente, respondia a todas as dúvidas e a todos orientava com sabedoria e humildade.
Uma de suas célebres frases caracteriza seu estilo simples e hospitaleiro:
"Não repare. Minha casa é simples, mas sempre tem feijão com farinha para todos".

Como Iyalorixá e dirigente espiritual era muito rígida e exigente.
Era muito comedida, prudente e reflexiva para assumir um filho de santo.
Só o fazia quando Yewá, Oxumare, Yemanjá, Xangô e Ogun, orixás a quem tinha muita obediência e respeito, autorizavam.
Promovia candomblé pela fé e suas festas eram organizadas dentro da tradição e, portanto eram belíssimas.
Não costuma dançar o xirê, mas se apresentava no barracão muito elegante e introspectiva para dançar a roda de Xangô.
Cantava "Jeje" com muito domínio pelos cantos da casa.
Dedicava-se mais ao culto de Orixá do que a vida pessoal.
Iniciou vários yawôs dentre eles podemos citar:
Seu primeiro barco foi:
  • José de Oxun, José Ferreira;

  • Soninha de Oxoguian;

  • Rosa de Oxumarê;

  • Regina de Nanã;

  • Eliete de Yewá;

  • Tania de Oxossi - Maiyé

  • Zilda de Ogun;

  • Zezé de Omolu;

  • Lurdinha de Omolu;

  • Sandra de Yemanjá - atual Iyakekerê da Casa de Oxumare.

  • Murilo de Ogun em Minas Gerais;

  • Gerson de Oxossi em Minas Gerais

  • Lídio de Xangô em Santa Catarina;

  • Vladimir de Oxossi-Kabilla em São Paulo;

Desta forma expandiu o nome da Casa de Oxumare para todo o Brasil.
Iyá Nilzete de Yemanjá trabalhou muito para a Casa de Oxumare.
Fez reparos, manutenção e conservação do patrimônio.
Impetrou uma verdadeira guerra contra a prefeitura de Salvador que projetava uma passarela de pedestres que passaria sobre Iroko, na qual saiu vitoriosa.
Iyá Nilzete de Yemanjá teve três filhos:
  • Samuilta de Oxoguian;

  • Sidney de Oxossi;

  • Sivanilton de Oxumare (Pece),
Todos iniciados no Axé Oxumarê.
Vem a falecer no dia 30.03.1990, também vitimada, por um mau súbito cardíaco.

A pesquisa acima foi elaborada através de depoimentos o que nos reserva o direito de alterar os dados divulgados.
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