Histórias que os antigos contam...
Yewá escutava tudo

Dona Cotinha de Yewá, era a Iyalorixá da Casa de Oxumare por volta da década de 30. Era uma mulher muito tímida e quase sem iniciativa.contam os antigos que sofrera muito com seu esposo.Mas Yewá, não era nada parecida com Dona Cotinha. Era atuante, corajosa e liderava a todos. Chamava a atenção de todos e não pensava duas vezes em dar broncas. Quando estava em terra, punha ordem no terreiro e tudo funcionava bem. Um belo dia, uma de suas filhas, Francelina de Ogun, arrumava-se para ir a roça de candomblé. Enquanto se arrumava disse:
- se Yewá, começar hoje com suas presepadas comigo,eEu vou dar um tapa na cara dela.

Francelina de Ogun acabou de se arrumar e foi para o Axé. Lá chegando, qual foi a surpresa: lá estava Yewá, debaixo do pé de Iroko, que a recebeu dizendo:
- Você não disse que ia bater na minha cara? Pois bem estou aqui.
Francelina ficou avechada, não respondeu para nada, e nunca mais desrespeitou Yewá, sua mãe, nem em pensamento.

 

Yewá dá o dinheiro de Iyá Cotinha

Chiquinha de Yansan, filha de Cotinha de Yewá, almoçava com a sua família, numa sexta-feira santa e nesta ocasião nada tinha para por no fogo.a dificuldade era muita grande. No sábado de aleluia ia para roça dar ossé - como costumeiramente faziam os antigos - mas Chiquinha não tinha um tostão, nem mesmo para ir ao terreiro cumprir o preceito e os costumes da casa.

As panelas estavam vazias...

Mas pensava e pedia:

- Oyá e Yewá, vão me trazer dinheiro..vão me ajudar e trazer trabalho para meu marido.

Apesar de não ter nenhum ânimo para ir para a roça, criou coragem e foi...foi para o ossé.

Lá chegando - com o coração muito apertado - nada disse a ninguém sobre sua situação e passou o dia com sua Iyá...D.Cotinha.

Quando chegou o momento de ir embora,

Yewá, virou...respondeu e mandou chamar Dona Chiquinha. Esta, sabendo da fama e da brabeza de Yewá, ficou nervosa e com medo mas foi encontrar e tomar benção de sua mãe.

Dona Chiquinha, chegou perto, ficou abaixada e sem olhar para cima.
Yewá falou:

- "tomaue da fia o uô uô fazia as coisa...o ajeun. Eu sabeu que num tinho nada...e daqui pa frente não vai farta ajeum."

Yewá tirou o dinheiro, umas economias de Dona Cotinha e deu a sua filha.
Naquela semana o marido de D. Chiquinha arrumou emprego e coisas começaram a voltar ao normal.

Ogun tão afamado que virava todo mundo...

Virou uma visita importante

Ogun de Iyá Simplícia era muito famoso por sua capacidade de virar qualquer pessoa no santo. Qualquer um virava...era só bobiar.

Numa bela noite de festa a roça de candomblé e toda Família Oxumarê, aguardava ansiosa a visita ilustre de uma personalidade do Culto de Orixá. Tal visita sempre afirmava que duvidava que Ogun a virasse.

A festa já tinha se iniciado quando a visita começou a subir as escadas da Casa de Oxumare.

Ogun, que estava em terra avisou que era chegada a hora de fazer tal visita virar no santo.

Ogun dirigiu-se a porta principal o barracão e deu o seu ila.

Instantaneamente a visita virou...Yansan estava em terra.

Todos ficaram alegres inclusive a visita ilustre.

Dia a dia trabalhoso

Na época em que as filhas de santo de Iyá Simplícia de Ogun eram yawôs, o dia a dia na Casa de Oxumarê não era fácil.

O dia começava com a busca de água na bica de Yewá.todas as yawôs traziam água em latas na cabeça para a roça...a bica não era perto e na volta precisavam subir os barrancos de terra, (que hoje é a famosa escadaria), o que tornava a tarefa mais difícil e muito cansativa. Depois, todo o serviço de casa tinha que ser feito com capricho. As ebomys da época - filhas de santo de Iyá Cotinha - ajudavam , mas o pesado ficava com as yawôs. Lavar e passar toda a roupa com ferros de brasa, engomar, limpar o barracão e todos os cômodos, varrer o terreiro, fazer comida, tratar da criação, tratar dos santos, preparar os ebós, etc...

Pedaços de folha de jornal tinham que ser amolecidos diariamente para serem usados nos banheiros. Isto as yawôs faziam, esfregando e amassando o papel jornal até que ficassem macios.

No final do dia, uma atribuição das yawôs era a de esquentar água para as ebomys tomarem banho.a água tinha que ficar quente, não podia esfriar , até o momento em que as ebomys resolvessem tomar seus banhos. As vezes isso demorava , pois a ebomys costumavam prosear algumas horas antes de irem dormir, o que obrigava as yawôs a ficarem tomando conta das latas de água no fogão a lenha com as brasas acessas. Nenhuma yawô era tão atrevida de interromper a prosa das ebomys...o jeito era esperar.

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