Linha do Tempo
Final do século XVIII
Inicio do século XIX
Por volta de 1820
1830
13 de outubro de 1845
Meados do século XIX
Ainda em 1845
1866
Por volta de 1870
Década de 1880
Final do séc. XIX
Janeiro de 1904
1905
Ainda em 1905
Por volta de 1920
1927
Década de 40
1947
21 de junho 1948
Final dos anos 40
1950
Anos 50
1952
1953
1974
Meados dos anos 70
Década de 70 e 80
1979
Anos 80
1988
8 abril 1990
1991
1994
5 novembro 2004
2005
Nos dias atuais
Final do século XVIII
Tàlábí, fundador da casa de Òsùmàrè, chega ao Brasil.
Tàlábí era oriundo da antiga cidade Kpeyin Vedji, localidade africana ao noroeste de Abomey, conhecida e respeitada pelo conglomerado de Sacerdotes do Culto à Sakpata (Ajúnsún). No final do século XVIII, com aproximadamente dez anos, foi encaminhado do Porto de Eko (atual cidade de Lagos, na Nigéria) para rumar ao Brasil, na condição de escravizado. Chegando a Bahia, Tàlábí foi comprado por Manoel José Ricardo, influente comerciante pernambucano, que vivia em concubinato com Umbelina Júlia de Carvalho.
FOTO: Desembarque de africanos escravizados
Inicio do século XIX
Tàlábí foi batizado na Igreja da Nossa Senhora da Conceição da Praia.
Os senhores costumavam batizar seus escravos e dar-lhes nomes cristãos, um dos primeiros atos de negação da identidade étnico-cultural. Assim ocorreu com Tàlábí, que foi batizado na Igreja da Nossa Senhora da Conceição da Praia, com o nome de Manoel Joaquim Ricardo. Contudo, mesmo sob a insígnia de um novo nome, Tàlábí nunca esqueceu sua origem.
FOTO: Igreja da Nossa Senhora da Conceição da Praia
Por volta de 1820
Tàlábí inicia o culto a Ajúnsún no Calundu do Obítedò, em Cachoeira – Bahia.
Após ter curado o seu senhor de uma grave enfermidade, Tàlábí passa a viver como liberto. A partir de 1820, reúne-se com outros negros e inicia, na Cidade de Cachoeira-BA, o culto a Ajúnsún no Calundu do Obítedò. Este local tornar-se-á a ascendência religiosa primordial da Casa de Òsùmàrè.
FOTO: Calundu do Obítedò
1830
Tàlábí estabelece um comércio no Mercado de Santa Bárbara, em Salvador-Bahia.
Em 1830, Tàlábí estabelece um comércio no Mercado de Santa Bárbara, em Salvador [BA], onde comercializava grãos, fumo, azeite de dendê, além da venda secreta de produtos para o culto aos Òrìsà. Já nesta época também realizava viagens constantes ao continente africano na busca de conhecimento religioso e produtos para manutenção do estabelecimento comercial.
FOTO: Mercado de Santa Bárbara
13 de outubro de 1845
A Casa de Òsùmàrè é fundada na Cruz do Cosme, Salvador, Bahia.
Em 13 de outubro de 1845, no mesmo mês que ocorriam as celebrações a Ajúnsún, no Calundu do Obítedò, Tàlábí adquire uma Roça no Bairro da Cruz do Cosme, atual Bairro da Caixa D' Água, em Salvador, fundando Ilé Òsùmàrè Araká Àse Ògódò.
FOTO: Casa de Òsùmàrè
Meados do século XIX
O Bàbálòrìsà Tàlábí torna a Casa de Òsùmàrè uma instituição de resistência do povo negro na Bahia.
Líder religioso visionário, Tàlábí criou uma espécie de irmandade, na qual cada filho de santo deveria trabalhar para comprar outros negros escravizados, agregando-os à família do Àse e difundindo o culto aos Òrìsà.
FOTO: Bàbálòrìsà Tàlábí
Ainda em 1845
Tàlábí inicia seu primeiro barco de ìyáwò.
No mesmo ano em que fundou a Casa de Òsùmàrè, em 1845, Tàlábí inicia seu primeiro barco de ìyáwò: Salako, Antônio Maria Belchior, iniciado para o òrìsà Dadá; Obalekon, José Maria Belchior, iniciado para Ogodó; Lará, Maria da Encarnação, iniciada para Òsun. Três personagens que mais tarde exerceram papéis marcantes para a história do candomblé na Bahia.
FOTO: Paramentos dos primeiros ìyáwò.
1866
Salako assume a Casa de Òsùmàrè com o apoio de seus irmãos de criação Olavo e Damázio.
Por volta de 1860, Tàlábí delega aos filhos a missão de perpetuar o legado ancestral do culto aos Òrìsà fincados na Casa de Òsùmàrè, em razão da idade já avançada. Assim, a responsabilidade é atribuída a um triunvirato: Antônio Maria Belchior, Salako e seus dois filhos sanguíneos, Damásio Joaquim Ricardo, Doyin, iniciado para Ìbèjì, e Olavo Joaquim Ricardo, Salami, filho de Òsàlá. Alguns anos mais tarde, em 20 de junho de 1865, com aproximadamente 90 anos, Tàlábí segue para o òrun ao encontro dos Ancestrais.
FOTO - Bàbálòrìsà Salako
Por volta de 1870
a Casa de Òsùmàrè é transferida para a Rua da Lama, Salvador-Ba.
Após o falecimento de Tàlábí, os bens - entre os quais se incluía a Casa da Cruz do Cosme - foram objeto de partilha entre seus herdeiros. Assim, para preservar o Culto aos òrìsà, Salako, Doyin e Salami transferem a Casa de Òsùmàrè para a Rua da Lama, Primeiro Distrito de Vitória – Salvador, Bahia.
FOTO - Casa de Òsùmàrè
Década de 1880
Salako conta com o apoio de Basília Juliana da Conceição (Tia Bá), na condução da Casa de Òsùmàrè.
Para conduzir o Ilé Òsùmàrè Araká Àse Ògódò, transferido para Rua da Lama, e perpetuar os cultos e os àse, transferidos da Cruz do Cosme, Salako também contou como apoio de Basília Juliana da Conceição, conhecida como Tia Bá. Uma sacerdotisa africana, também liberta, mãe de Antônio Manoel Bomfim, que foi iniciado ao Òrìsà Òsùmàrè, aos sete anos de idade, pelo Babalòrìsà Salako recebendo o orukó, Danjemi, e sendo destinando a ser seu futuro sucessor.
FOTO - Tia Bá
Final do séc. XIX
Antônio de Òsùmàrè, o futuro sucessor de Bàbá Salako, passa a assumir a Casa na ausência de seu Bàbálòrìsà.
Antônio de Òsùmàrè era quem ficava à frente do terreiro e do estabelecimento comercial na ausência de seu sacerdote que em virtude de intensas atividades em Cachoeira, se ausentava periodicamente. Assim, com o passar do tempo, Antônio de Òsùmàrè,"Cobra Encantada", apelido pelo qual era chamado por seu Bàbálòrìsà, passa a ficar conhecido pela mesma alcunha de Salako: Antônio das Cobras.
FOTO – Antônio de Òsùmàrè
Janeiro de 1904
o Bàbálòrìsà Salako falece na cidade de Cachoeira, é sepultado no jazigo da família Belchior, no cemitério dos Nagô, mas é imortalizado em histórias mitológicas.
Após 41 anos à frente da Casa de Òsùmàrè, Antônio Maria Belchior, Bàbálòrìsà Salako, falece, em 14 de janeiro de 1904, na cidade de Cachoeira. Salako foi sepultado junto ao seu irmão, Obalekon, José Maria Belchior, conhecido como Zé do Brechó. Mas foi imortalizado em histórias e mitos, em razão do poder de sua magia, da capacidade de falar com as cobras e de se transformar em pássaro para voar até a África.
FOTO - Jazigo da família Belchior
1905
a Casa de Òsùmàrè é transferida definitivamente para a região da Mata Escura, atual bairro da Federação, em Salvador-Ba.
Com o falecimento de Salako, Antonio de Òsùmàrè assume o Terreiro. Em virtude das intensas perseguições e das fortes investidas policiais que sofria, transfere o Ilé Òsùmàrè Araká Àse Ògòdò, para a antiga região da Mata Escura, atual bairro da Federação, onde está localizada até os dias de hoje.
FOTO: Casa de Òsùmàrè
Ainda em 1905
o Bàbálòrìsà Antônio inicia suas primeiras filhas de Santo, dentre elas Maria das Mercês, iniciada para o òrìsà Yewá.
Em 1905, o Bàbálòrìsà Antônio inicia suas primeiras filhas de Santo e adquire grande notoriedade como Sacerdote. Entre elas, Maria das Mercês, iniciada para o òrìsà Yewá, recebendo o orukó de Yewá Abiamo "Mãe de muitos filhos". A iniciação de Maria das Mercês, conhecida como Cotinha, teve grande repercussão entre as outras casas de Àse, pois, antes dela, não se tinha conhecimento de iniciação para este òrìsà no Brasil.
FOTO: Òrìsà Yewá
Por volta de 1920
Bàbálòrìsà Antônio constrói um altar católico dentro do terreiro para confundir a polícia da época.
O Bàbálòrìsà Antônio de Òsùmàrè torna-se um dos mais conhecidos sacerdotes da Bahia. Com isso, a Casa de Òsùmàrè passa a ser alvo constante de ações intolerantes. Para resistir e preservar o culto aos Òrìsà, o Bàbálòrìsà Antônio constrói, dentro do terreiro, um altar católico, estratégia que foi eficientemente utilizada para confundir a polícia da época. Nos dias atuais foram substituídas as imagens de santos católicos por esculturas africanas de Òrìsà.
FOTO: Altar católico da Casa Òsùmàrè
1927
Mãe Cotinha assume o cargo de Ìyálòrìsà, iniciando a era matriarcal na Casa de Òsùmàrè.
Em 1927, aos 34 anos, após um ano de falecimento do Bàbálòrìsà Antônio de Òsùmàrè, Maria das Mercês assume o cargo de Ìyálòrìsà. É a primeira mulher a ascender ao posto mais alto da Casa de Òsùmàrè, tornando-se conhecida como Mãe Cotinha de Yewá.
FOTO: Ìyálòrìsà Cotinha
Década de 40
Ìyá Cotinha já havia iniciado mais de 50 filhas e filhos de santo, um número considerável para uma época de repressão ao candomblé.
Durante a regência à frente da Casa, Mãe Cotinha de Yewá inicia uma grande número de filhos de santo contribuindo para a difusão do candomblé no Brasil. Muitas dos seus filhos e filhas se tornaram grandes Bàbálórìsà e Ìyálòrìsà, das quais são exemplo: Thomazia de Òsun e Teodora de Iyemojá, que fundaram casas de Àse no Rio de Janeiro; assim como, Bobo de Oya, em São Paulo e Margarida de Ògún, em Salvador.
FOTO: Filhas de santo dançando
1947
Mãe Cotinha nomeia Maria Francelina de Jesus, como sua futura sucessora .
Em 1947, prevendo sua partida para o Orùn, Mãe Cotinha consulta o jogo de búzios para saber quem se tornaria sua sucessora, os òrìsà revelam que será uma filha de Ògún. Mãe Cotinha designa o cargo à Maria Francelina de Jesus, a mais velha filha de Ògún da Casa.
FOTO: Mãe Francelina
21 de junho 1948
Mãe Cotinha falece. Os mais antigos contam que neste dia o céu ficou cor de rosa, em sinal que Iyewá recebeu sua filha.
Após o falecimento da Ìyálòrìsà Cotinha, Ìyá francelina assume o terreiro. Reconhecendo sua avançada idade, recorre aos Òrìsà para que eles indiquem quem assumiria o posto de Ìyálòrìsà, a escolhida por Yewá é Simpliciana Brasília da Encarnação, também filha de Ògún.
FOTO: Crepúsculo
Final dos anos 40
Simpliciana Brasília da Encarnação aceita seu destino.
Simpliciana Brasília da Encarnação, Simplícia de Ògún como era conhecida, foi uma filha de santo muito presente e dedicada ao Àse. Desde os 9 anos de idade, conviveu com os mais antigos do terreiro por ser filha sanguínea de Maria das Neves, a primeira filha de santo do Bàbálòrìsà Antônio de Òsùmàrè. Seus elos ancestrais com a Casa de Òsùmàrè vão mais longe, remontam à fundação do terreiro: sua bisavó paterna, Maria da Encarnação, pertenceu ao primeiro barco de ìyáwò, de Bàbá Tàlábí.
FOTO: Mãe Simplícia aos 34 anos
1950
Simpliciana Brasília da Encarnação se torna Ìyálòrìsà da Casa de Òsùmàrè.
Em 1950, Simpliciana Basília da Encarnação assume o posto de Ìyálòrìsà da Casa de Òsùmàrè e se entrega por completo ao culto aos Òrìsà. Era, também, uma grande comerciante, possuindo depósito de carvão, vendia fato de boi, além de vender quitutes baianos em um tabuleiro.
FOTO: Ìyálòrìsà Simplícia
Anos 50
As edificações da Casa de Òsùmàrè deixam de ser de taipa e adobes e passam a ser de alvenaria.
Mãe Simplícia de Ògún trabalhou de forma abnegada para realizar as reformas necessárias na Casa de Òsùmàrè. Substituiu as paredes de adobe e taipa por alvenaria. O carisma e a postura de Mãe Simplícia de Ògún atraem intelectuais, artistas, antropólogos e, principalmente, pessoas que procuravam um conselho e carinho de mãe.
FOTO: Casa de Òsùmàrè anos 50
1952
Ìyá Simplícia de Ògún reivindica, ao presidente Getúlio Vargas, a liberdade de culto para os povos de religiões de matrizes africanas.
Mãe Simplícia, indignada com o sofrimento dos praticantes de religiões de matrizes africanas, tomou para si esta luta. Em 1952, no início de sua gestão na Casa de Òsùmàrè teve conhecimento que o presidente Getúlio Vargas, juntamente com sua comitiva, iria inaugurar o Grande Hotel Caldas do Cipó, no sertão da Bahia. Diante desta informação, articulou-se para realizar a recepção para o Presidente e denunciar as práticas violentas promovidas pela polícia da época contra as religiões de matriz africana.
FOTO: Ìyá Simplícia e Getúlio Vargas
1953
Ìyá Simplícia realiza suas primeiras cerimônias públicas. A tradicional missa em louvor a N.Sra do Monte Serrat foi um dos rituais mais esperado.
A tradicional missa de N.Sra do Monte Serrat antecede as cerimônias do mês de agosto da Casa de Òsùmàrè e oculta uma grande obrigação para o òrìsà Iyewá. É realizada desde a época do Bàbálòrìsà Antonio de Òsùmàrè e era muito esperada por Ìyá Simplícia e os Ogá de Yewà, Pai Urbano, Claudionor, Paizinho, que sempre estavam presentes vestidos elegantemente.
FOTO: Integrantes do Terreiro na missa de N.Sra Monte Serrat
1974
Ìyá Nilzete de Iyemojá assume o trono da Casa de Òsùmàrè.
Iyá Simplícia de Ògún faleceu em 18 de setembro de 1967. Uma perda inestimável de uma das maiores Ìyálòrìsà do Brasil. Em 1974, sete anos após a sua morte, sua filha biológica Nilzete Austracliano da Encarnação – Nilzete de Iyemojá – assume a Casa de Òsùmàrè com a mesma garra e vitalidade de sua mãe.
FOTO: Mãe Nilzete
Meados dos anos 70
Mãe Nilzete escreve seu nome com letras garrafais na historia de luta e resistência da Casa de Òsùmàrè.
Para preservar o espaço físico do terreiro, que na época estava sendo ocupado ilegalmente devido ao rápido desenvolvimento urbano, Ìyá Nilzete de Iyemojá luta incansavelmente e retoma a propriedade, assegurando seus limites territoriais.
FOTO: Casa de Òsùmàrè, anos 70
Década de 70 e 80
Mãe Nilzete educa o jovem Sivanilton na hierarquia do candomblé, preparando-o para ser o futuro Bàbálòrìsà da Casa.
Ìyá Nilzete, ciente que seu filho Sivanilton Encarnação da Mata estava predestinado a ser o futuro Bàbálòrìsà da Casa de Òsùmàrè, conforme havia determinado o Ògún da Ìyálòrìsà Simplícia, educa o jovem Pecê dentro da hierarquia do candomblé, transmitindo-lhe os ensinamentos necessários para que ele assumisse o cargo.
FOTO: Bàbá com 13 anos, Ìyá Bete, Ìyá Tânia, Ìyá Walquíria
1979
Depois de muita luta para pagar os estudos de sua irmã, Ìyá Nilzete, com muito orgulho, participa da formatura Maye Tânia de Òsóòsi.
Ìyá Nilzete de Iyemojá se torna o esteio da família e da Casa de Òsùmàrè, assumindo a responsabilidade pelos seus familiares e por sua comunidade de Àse. Cuidou da educação de seus irmãos e, em 1979, tem a satisfação de presenciar a formatura de sua Irmã Tânia Bispo dos Santos, conhecida como Maye Tânia de Òsósi, em magistério.
FOTO: Formatura de Maye Tânia
Anos 80
A árvore consagrada ao òrìsà Ìrókò possuía um tronco tão imenso que não podia ser abraçada por seis homens.
Ìyá Nilzete de Iyemojá tinha Ìrókò como seu melhor amigo e todos os dias conversava com ele. Como a força do mar revolto, lutou contra a construção de uma passarela na Avenida Vasco da Gama que, no projeto original, invadia o terreno onde está localizado o Terreiro e seus principais símbolos religiosos e sagrados, como sua fonte de água, elemento essencial para o culto aos òrìsà e a árvore consagrada a Ìrókò.
FOTO: Ìrókò
1988
Ìyá Nilzete de Iyemojá luta contra a construção de uma passarela na Vasco da Gama que, no seu projeto inicial, destruiria a fonte sagrada e a árvore consagrada a Ìrókò.
Ìyá Nilzete de Iyemojá luta com toda sua força contra o governo municipal para impedir a destruição de elementos sagrados da Casa. Com seu prestígio, obtém apoio de políticos, intelectuais e líderes religiosos que se organizam em uma frente denominada "Frente de Defesa da Casa de Òsùmàrè". A luta é exitosa tendo como principais resultados a mudança do local da passarela e a constituição da "Associação Cultural e Religiosa São Salvador", entidade de utilidade pública estadual e municipal.
FOTO: Hilário, Gilberto Gil, Ìyá Nilzete, Pedro Gama construindo a frente de defesa
8 abril 1990
Nove dias depois do falecimento de Mãe Nilzete, Ìrókò tomba sentindo a perda da amiga.
Em 30 de março de 1990, falece Ìyá Nilzete de Iyemojá deixando um legado de respeito, luta e resistência para sua comunidade. A perda ainda é muito sentida pelos seus filhos e filhas de santo. Nove dias após sua morte, Ìrókò desaba e interdita a Avenida Vasco da Gama por cerca de dois dias demonstrando a força de sua relação espiritual com Ìyá Nilzete de Iyemojá.
FOTO: Ìrókò
1991
Bàbá Pecê assume a Casa de Òsùmàrè e inicia sua luta em defesa dos direitos dos povos de religiões de matriz africana.
Um ano após o falecimento de sua mãe biológica, Ìyá Nilzete de Iyemojá, em 1991, Bàbá Pecê assume o cargo de Bàbálòrìsà da Casa de Òsùmàrè, com apoio da comunidade religiosa, em especial dos mais velhos. O início da gestão de Bàbá Pecê marcada por sua luta em busca do respeito e da liberdade religiosa das comunidades de matriz africana.
FOTO: Bàbá Pecê em reunião com os mais antigos e amigos do terreiro
1994
Bàbá Pecê recebe Adiro Adetutu, 49º Rei de Keto, que manifestou sua admiração pelos cultos preservados na Casa de Òsùmàrè.
A visita de Adiro Adetutu, 49º Rei de Keto, em 1994, à Casa de Òsùmàrè representa um especial momento de integração dos povos de religião de matriz africana e de fortalecimento da luta pelo respeito à liberdade religiosa. Nesta oportunidade, o Rei de Keto demonstra sua admiração pela preservação do culto aos òrìsà na Casa de Òsùmàrè e reconhece sua importância para preservação da história e cultura da Africana no Brasil. Em 15 de abril de 2002, a Fundação Cultural Palmares reconheceu a Casa de Òsùmàrè como território cultural afro-brasileiro.
FOTO: Visita do rei de Keto na Casa de Òsùmàrè
5 novembro 2004
A Casa de Casa de Òsùmàrè é tombada pelo IPAC através do Decreto n. 9.215.
O tombamento da Casa de Òsùmàrè como patrimônio material e imaterial do Estado da Bahia simboliza o reconhecimento de sua história de luta e resistência em defesa do candomblé. Representa, ainda, o reconhecimento da importância da Casa de Òsùmàrè para a preservação da história e cultura da África, que tanto contribuíram para a construção da nação e do Estado Brasileiro.
FOTO: Cerimônia de tombamento
2005
Idealizada por Bàbá Pecê, aconteceu a I Caminhada Pela Vida e Liberdade Religiosa.
Em 2005, Bàbá Pecê idealizou e conduziu, em parceria com diversas entidades da sociedade civil, a "Primeira Caminhada pela Vida e pela Liberdade Religiosa". O evento reuniu aproximadamente 5 mil pessoas e consolidou um abraço simbólico no Dique do Tororó, espaço Sagrado para o povo do Àse.
FOTO: I Caminhada pela vida e liberdade religiosa
Nos dias atuais
Bàbá Pecê lidera a Casa de Òsùmàrè até os dias atuais com a mesma dignidade e qualidades de seus antecessores.
Com 20 anos de gestão, Bàbá Pecê perpetua o legado de seus ancestrais conduzindo a Casa de Òsùmàrè com a mesma garra, determinação e dignidade. Tem preservado, com extrema dedicação, as tradições e fundamentos da Casa de Òsùmàrè. Mantém viva a tradição de uma comunidade religiosa que é reconhecida como símbolo de resistência da cultura negra em nosso país. Seu olhar contempla a todos, não só aos seus filhos e filhas de santo. Sua bandeira de luta é a defesa da cultura e religiosidade africana e a união dos povos.
FOTO: Bàbá Pecê

