Para que realmente os Orixás recebam e fiquem satisfeitos com as oferendas alimentícias, popularmente chamadas de "comida de santo", é fundamental entender o significado e a essência da comida litúrgica. De fato, as divindades não comem a comida em si apresentada, mas sim, absorvem toda energia depositada desde o preparo, até ao momento da entrega. Este princípio resulta nos preceitos e fundamentos que permeiam a elaboração das comidas de  santo.

 É necessário dedicar amor desde a colheita a compra dos ingredientes. Antes de iniciar o preparo seu corpo e alma devem estar limpos. Faz-se necessário tomar um banho de folhas, vestir-se adequadamente com as indumentárias religiosas, entrando inteiramente no ambiente espiritual do terreiro.

Concentrar-se totalmente no preparo, emanando fé, amor e respeito, é o tempero que verdadeiramente contemplam as divindades. Por essa razão, no momento do preparo, seus pensamentos devem ser de doação, sempre com intuito de agradar aos Orixás. Para que não haja intervenções de energias não desejadas faz-se necessário o silêncio absoluto, que só pode ser quebrado por cânticos sagrados na intenção de homenagear a divindade. É exatamente por estes motivos que as cozinhas dos terreiros tradicionais de candomblé são extremamente restritas às pessoas da mais alta responsabilidade religiosa.

Estas cozinhas tradicionais...

Categoria Abrindo o jogo

Orientar e educar ao folião do carnaval de Salvador para evitar atos de discriminação racial e de desrespeito as religiões de matrizes africanas. Estas foram as principais tarefas de Sivanilton Encarnação, mais conhecido por Babá Pecê de Oxumarê, durante os seis dias que trabalhou no Observatório da Discriminação Racial, Violência contra a Mulher e LGBT, órgão vinculado a Secretaria Municipal da Reparação.

De acordo com Babá Pecê, a experiência do observatório serve para chamar atenção da população sobre os incidentes que acontecem durante todo ano e pelo fato da maior festa de rua do planeta, o carnaval, ter uma grande cobertura midiática ficam ainda mais evidentes.

"A folclorização das religiões de matrizes africanas é uma constante. Portanto, cabe a nós, povo de santo, criar estratégias que impeçam que isso se naturalize ainda mais. O meu trabalho era justamente esse, educar e explicar a importância do respeito ao que é sagrado para nós", explica Babá Pecê.

Ainda segundo o babalorixá, foram identificados, nos três circuitos do Carnaval, o uso indevido de ferramentas sagradas e até mesmos pessoas vestidas como orixás, o que fez que ele tivesse que recolher alguns objetos durante a festa. "Situações, como essas, são constrangedoras para nós do axé. Isso demonstra total desrespeito e banalização da nossa religiosidade", complementa.

Observatório - O Observatório da Discriminação Racial, da Violência contra a Mulher e Combate a Homofobia é um programa que tem como objetivo mapear dados que comprovem a existência de ações discriminatórias, sejam elas raciais, de gêneros ou homofóbicas. Este ano, foram registradas 459 denúncias de casos de discriminação. A maioria (288) ainda é relativa ao racismo. Em seguida, vem os atos de violência contra a mulher com 153 ocorrências e os casos de homofobia com 18 denúncias.

Categoria Notícias

 Após a realização do Asèsè em memória os três anos de falecimento de Mãe Délia, Bàbá Pecê juntamente com as autoridades presentes se reuniram no salão principal do Ilé Osogbo para  saberem o destino da Casa. Enquanto a comunidade aguardava ao lado de fora os sacerdotes consultavam a vontade dos Òrìsà, principalmente a de Òsún para com o destino do Terreiro.

Após aproximadamente 1h, as portas do salão foram abertas e o Bàbálòrìsà Pecê fez o pronunciamento: "A escolhida para perpetuar o legado de culto aos Òrìsà e ancestrais, é uma filha de Ògún, Erisvanda dos Santos, Nica de Ògún". No mesmo instante seu Òrìsà se manifestou, e foram entoados cânticos com votos de felicidade e Asé para a nova Ìyálòrìsà do Ilê Osogbo. 

Na noite do dia 4 fevereiro de 2012, Bàbá Pecê, Bàbálòrìsà da Casa de Òsùmàrè, e as Agbá Walquíria de Òsun e Bete de Òsàlà, juntamente com o Bàbá Egbe, Leandro de Òsùmàrè, sentaram Erisvanda de Ògún no trono e a apresentaram para a sociedade do candomblé como Ìyálòrìsà. "Se Torna Ìyálòrìsà é mais que um compromisso religioso, é ser Mãe da sua comunidade e dos que se agregarem a ela", declarou Bàbá Pecê no momento que a sentou ao trono.

A cerimônia marcada por emoção e preceitos do culto aos Òrìsà, contou com a presença de autoridades religiosas das mais diversas Casas de candomblé além dos amigos e familiares que vieram prestigiar a posse da Ìyálòrìsà. Assim que Bàbá entoou os primeiros cânticos que a declamava como Ìyálòrìsà, Nica de Ògún foi tomada pela presença do seu Òrìsà. A energia foi tamanha que contagiou toda a comunidade presente. 

 História - Fundado em 1963, o Ilé Osogbo foi comandado por mais de 40 anos pela Ìyálòrìsà Idalice Pereira dos santos, conhecida carinhosamente como Délia de Òsún, esposa de Ogan Erenilton, um dos mais velhos e respeitados Alagbes da Bahia.  Em pouco tempo, pelo respeito de Ìyá Délia o Ilé Osogbo tornou-se uma das Casas de candomblé  mais notórias do bairro do Engenho Velho de Brotas, Salvador, Bahia, já que além das funções religiosas, sempre desenvolveu diversos trabalhos sociais com a comunidade do bairro e adjacências.

Porém em 25 de dezembro de 2009, seus atabaques foram silenciados em virtude do falecimento de Mãe Delia de Òsún. A partir daí  seus filhos biológicos juntamente com a comunidade tomaram a frente da Casa  e se encarregaram de organizar os Asèsè  "rituais fúnebres" que foram conduzidos pelo Bàbálòrìsà Pecê.

 Ègbón Nica é filha biológica de  Mãe Délia e Mestre Erenilton; foi iniciada há 30 anos, em fevereiro de 1981, pelas mãos da  saudosa Ìyálòrìsà Nilzete de Yemanjá na Casa de Òsùmàrè, onde sempre teve uma excelente postura e conquistou a confiança de todos seus mais velhos. Ao longo de sua vida religiosa foi adquirindo conhecimento que a tornou capaz de hoje assumir o posto o qual foi designado a ela.

Categoria Notícias
Sáb, 07 de Janeiro de 2012

Águas de Oxalá

Em entrevista exclusiva, Mãe Cotinha de Òsàlà, Ìya Làse e Mãe Bete de Òsàlà, Ìyá Efun da Casa de Òsùmàrè, relatam como ocorreu a celebração Àwón Omi Òsàlà - "Águas de Oxalá" e explicam a importância da cerimônia para os iniciados e adeptos do Candomblé.

- Mãe Cotinha, em primeiro lugar sua benção!

Meu filho, Òsàlà o abençoe e encha a vida de todos vocês de alegria, sabedoria e seriedade. Meu filho, no candomblé tem que ter seriedade!

- Mãe Bete, sua benção. Em que consiste esta cerimônia das "Águas de Oxalá"?

Meu filho, que o alá de Òsàlà mesmo, cubra a todos vocês! Que o Senhor do dia de hoje dê paz, caminho e boa sorte!... As Águas de Òsàlà são um dos mais longos e belos rituais do Candomblé. Aqui é rememorada a saga de Òsàlà, concebido como pai de todos os Òrìsàs. Nossos antepassados nos transmitiram que Òsàlà fez uma viagem para visitar seu filho Sàngó, só que a viagem havia sido desaconselhada pelo Bàbáláwo. A persistência de Òsàlà e o desejo de ver o filho foram maiores. No decorrer da viagem, por três vezes, Èsù dificultou o caminho, sujando-lhe as vestes. Quando chegou ao reino de Sàngó, Òsàlà foi confundido com um ladrão de cavalos e foi injustamente preso. Aí permaneceu por sete anos, período no qual o reino de Oyó passou por inúmeras e graves dificuldades. Sàngó foi consultar o Bàbáláwo e este lhe disse que, naquele reino, estava sendo cometida uma injustiça. Sàngó teria que libertar um prisioneiro que estava ilegalmente preso há sete anos. Trouxeram Òsàlà à presença de Sàngó que logo o reconheceu e libertou. Sàngó pediu perdão a Òsàlà e ordenou que todas as pessoas do reino carregassem água para que pudessem banhar Òsàlà e se penitenciar do erro cometido! É por isso que as águas representam a purificação e penitência quanto aos erros que nós cometemos, durante a vida!

- Mãe Cotinha, como acontece esta cerimônia das "Águas de Oxalá" na Casa de Òsùmàrè?

Na Casa de Òsùmàrè, conforme a tradição, as Águas se iniciam na primeira quinta feira do ano, ao anoitecer, com a procissão de Oxalá até ao "Bàlotìn" – uma pequena cabana construída com folhas de palmeira. A partir deste momento, o silêncio na casa é obrigatório, em memória ao sofrimento de Òsàlà, durante a prisão. Na madrugada de sexta-feira, faz-se a procissão do transporte das águas, em quartinhas para o banho de Òsàlà! O trajeto é feito pela escadaria da Casa de Òsùmàrè, desde a fonte na Avenida Vasco da Gama até o alto da colina, em frente ao barracão. No domingo, celebra-se o Pilão de Òsógìyán. Os festejos se estendem aos dois domingos seguintes, quando são reverenciados Òdúdùwá e Olúfón.

- Mãe Bete, por que as pessoas se vestem de branco nas "Águas de Oxalá"?

O branco simboliza a pureza e a simplicidade, características de Òsàlà e de seus filhos. Além disto, o branco é a junção de todas as cores e Òsàlà é também sinal de união e paz! As roupas brancas representam o compromisso com o Òrìsà, que exige o sacrifício de quem as usa para mantê-las alvas!...

- Mãe Cotinha, por que a restrição de fotografia no decorrer desta cerimônia?

É o nosso sagrado, é o momento religioso no qual estamos em contato com o divino. Esses momentos, essas cerimônias são extremamente sagradas e não podem ser fotografadas, muito menos filmadas.

- Então, Mãe Cotinha, a gente pode entender que a mística acontece no mundo espiritual, que não pode ser percebido pelas lentes de uma máquina, mas somente sentido pela ótica da espiritualidade?!

Isso mesmo, meu filho! A máquina fotográfica não consegue mesmo reproduzir a energia do Òrìsà, não consegue captar o Àse!

- Mãe Bete, o que a senhora achou das "Águas de Oxalá" do ano de 2012, na Casa de Òsùmàrè?

Já fizemos a procissão das águas, nesta madrugada. Olhe, meu filho, foi uma das mais bonitas dos últimos tempos! Foi mantida a tradição e todos os preceitos exatamente como fazia minha Mãe Simplícia. Este ano vieram muitos filhos e filhas da Casa, bem como de outras casas, tanto da Bahia como de outros estados, de todo o Brasil! A escadaria da roça ficou pequena com tanta gente!.. Foi preciso fazer caracol de pessoas no pátio de frente do barracão! ...

 - Mãe Cotinha, a senhora gostaria de deixar uma mensagem para os nossos leitores?

Sim, que sejamos persistentes em nossos sonhos, como Òsàlà! Que nunca desistamos deles!... Que saibamos viver a pureza, preservando a vida, e o respeito ao próximo! ÀSE...

 

 

Categoria Notícias

A Natureza, a Terra e tudo nela existente, é o nosso sagrado. A energia dos elementares essenciais à vida é chamada de Orixás, nossas divindades. De fato, a natureza e todos os seus fenômenos correspondem às nossos Orixás.

Nossos ancestrais aprenderam a evocar essas energias e se beneficiarem dos seus poderes! Por milênios, através de oferendas, os Orixás são cultuados, possibilitando que sejam abertos os canais de intercomunicação entre o humano e o sagrado. As oferendas têm o intuito de presentear, agradar e principalmente mostrar respeito e reverência à natureza, à vida, aos Orixás.

Mister se faz que estas oferendas sejam cuidadosamente apresentadas aos seus destinatários, sob pena de não serem recebidas, sob pena de não permitirem o intercâmbio e a passagem das energias. Esta apresentação, em verdade, deve ser feita por sacerdotes devidamente preparados e principalmente com o conhecimento necessário para não despertar a ira da Natureza!...

Categoria Abrindo o jogo
Ter, 03 de Janeiro de 2012

Exu sinônimo de festa e alegria

Após a cerimônia religiosa em louvor a Exú, ao som do tradicional samba de roda de Terreiro, a festa seguiu madrugada a dentro. A percussão ficou aos cuidados do grupo Fogueirão que, junto com a comunidade do Terreiro, cantavam os sambas que são patrimônio imaterial da humanidade desde 2005, quando o samba de roda foi tombado pela Unesco.

A festa, que atraiu centenas de pessoas, teve início logo após a conclusão da cerimonia religiosa em louvor a Orixá Exú. O banquete de Exú foi compartilhado com todos os presentes. Um delicioso xinxim de galinha, acompanhado por uma saborosa farofa de azeite, foram saboreados por todos os participantes da linda homenagem a Exú, que ocorreu nesta primeira segunda feira do ano, dia 2 de janeiro de 2012.

Esta distribuição de alimentos é uma característica típica dos Terreiros de candomblé e acontece depois dos rituais internos, quando os sacerdotes ofertam as energias existentes nos alimentos para as divindades. "Após os rituais as carnes e alimentos são destinados ao festejo. O candomblé compreende o poder da vida e sabe o quanto ela é sagrada... comemos a carne, mas, antes, e de forma cuidadosa, reverenciamos aquela vida e aproveitamos a energia existente nela", explica Ogã Tinho.

E assim ocorreu, galos, bodes e comidas típicas do candomblé, como o acarajé e o abara, que, hoje, são parte da culinária baiana, foram oferecidos a Exú, o Orixá do principio, do dinamismo, do transcurso de múltiplos e variados destinos e Guardião do templo, "o Terreiro de candomblé". Ele é o primeiro a receber as oferendas pois Exu é o responsável pela comunicação entre os seres humanos e os demais Orixás, esta é a razão pela qual ele recebe o título de Orixá mensageiro.

Àse Esù yóò bá o gbé làyè! (Que a energia de Exu acompanhe você por toda a vida!)

Laroye Esù!

Categoria Notícias

Para agradecer a vitória de atravessar mais um ano e por todas as graças alcançadas em 2011, a Casa de Oxumarê ofertou nesta quarta-feira, dia 28, o último amalá do ano para Xangô, o Orixá da justiça. A cerimônia, que além dos filhos e filhas de santo da Casa, contou com a participação de centenas de amigos e de autoridades religiosas de outros templos, além de autoridades civis. Ao som dos milenares cânticos e toques por volta das 20h, o senhor do fogo e do trovão era evocado na Casa de Oxumarê. O amalá, comida sagrada feita a base de quiabos, azeite de dendê e camarões, um dos pratos prediletos deste poderoso Orixá, foi distribuídos entre todos os presentes.

O ritual da oferta do amalá começa cedo, antes mesmo da comida ser distribuída entre todos os presentes, é necessário que cada integrante da comunidade e as visitas se descansem por um período, tomem banhos de folhas e em seguida sejam incensados. "É fundamental que purifiquemos nossa alma e mente antes de entrarmos em sintonia com a natureza, antes de louvarmos os Orixás", explica Baba Pecê.

Pelas mãos da Ìyá Nirere da Casa de Oxumarê, Egbom Nice de Yansã, a gamela com quiabos cru, que simboliza a aliança e a perpetuação da oferenda no próximo ano, 2012 foi ofertada para Xangô, momento alto da cerimônia. Filha de santo do Terreiro da Casa Branca, Ìyá Nice exerce o posto de conselheira dos filhos e filhas de santo da Casa de Oxumarê, sendo ela a responsável em transmitir a boa educação à comunidade Oxumarê. Esta relação atesta que além da proteção dos Orixás a união entre as Casas mais antigas foi e continua sendo sua formula de resistência e continuidade desta profunda religião chamada candomblé.

Tradição

A oferenda do amalá já é uma tradição na Casa de Oxumarê acontece fielmente todas as quartas-feiras do ano, com exceção dos 16 dias de Oxalá, em Janeiro, quando a Casa não faz uso de azeite e durante agosto, haja vista, que é o mês dedicado para louvar Obaluaê e é nesta época que são realizadas as suas grandes celebrações, o Olubajé. As mitológicas disputas e duelos para assumirem o governo da Terra e o titulo de rei entre Xangô e Omolu são, em verdade, os motivos para que não existam oferendas nem rituais sacros nos períodos dedicados um ao outro. Xangô não pode ser celebrado em agosto, pois é a época na qual Omolu e sua família são homenageados.

Categoria Notícias

Na última semana, o Bàbálòrìsà Pecê de Òsùmàrè, juntamente com sua comitiva; Ìyálòrìsà Ana de Ògún, Ìyámòrò Nilza de Ògún, Baba Egbè Leandro de Òsùmàrè, Òlòpóndá Walquíria de Òsún e Idase Mariana de Ayrá, chegaram em São Bernardo do Campo - SP, onde fica localizada uma das Casas de Candomblé mais tradicionais do estado, o Ilé Alákétu Asè Airá (Àsé Batistine), para dar início ao cerimonial fúnebre em respeito a 1 ano da morte do saudoso Pai Pércio de Sàngó, um dos filhos diletos do Terreiro de Òsùmàrè.

Esta cerimonia religiosa, da milenar cultura africana, denominada Asèsè, além de prestar homenagem ao antepassado, tem como objetivo principal, rogar aos Deuses que, o espirito do ancestre permaneça em paz, cumprindo sua passagem ao Orùn (céu) de forma plena, conforme dita a religião dos Òrìsàs.

O Asèsè que teve início no dia 14 de dezembro de 2011, e terminou na ultima quarta-feira dia 21 de dezembro de 2011, contou com a presença de Sacerdotes e Omo Òrìsàs de todo o Brasil. Além da comunidade do Asè Òsùmàrè, contou com o quórum ilustre de lideranças e representantes das tradicionais Casas de Candomblé da Bahia, como o Ilé Ibese Alakétu (Portão da Muritiba), nas figuras da Ìyálòrìsà Mãe Cacho de Omolu, Ègbón Bem de Òsógìyán e Ègbón Lurdes de Òsàlá, Casa Branca do Engenho Velho, representado por Ekedji Sinha de Sàngó, dentre muitos, que foram prestar suas homenagens ao saudoso Bàbálòrìsà Pércio de Sàngó.

A tradicional missa católica que acontece no último dia do Asèsè, foi realizada dento do Terreiro, na capela de Nossa Senhora Aparecida, que fora construída para este fim, uma vez que Pai Pércio tinha um amor incondicional e devoção por esta Santa.

Na oportunidade, Bàbá Pecê e Ìyá Cacho foram convidados a inaugurar o espaço onde ira abrigar os pertences e objetos usados por Pai Pércio. Este local, chamado: Memorial Tata Pércio, conta também com salas de aula, que atenderão a comunidade com aulas de capoeira, artesanato, costura e informática.

A família do Asè Ilé Ola, demostraram sua gratidão pelo saudoso Babalòrìsà, presenteando o Àsé Batistine com um busto que também foi inaugurado pelo Bàbálòrìsà Pecê juntamente com Ìyálòrìsà Cacho.

A presença de mais de 300 pessoas no dia derradeiro do Àsèsè, consolida novamente, a importância que o Babalòrìsà Pércio de Sàngó teve para a história do Candomblé. Isso é reforçado, também, pela comunhão de pessoas de diversas tradições e estados da federação que, juntos louvaram a memória desse grande baluarte da Religião dos Òrìsàs.

Mesmo com a dor da perda de um dos seus filhos mais querido, o Terreiro de Òsùmàrè, tranquiliza-se em saber que mais uma missão foi cumprida, não tendo dúvidas de que, Pai Pércio de Sàngó, recebeu as devidas obrigações e honrarias, as quais tinha direito, conforme determinação dos Òrìsàs.

Categoria Notícias
Qua, 14 de Dezembro de 2011

DIABO, DESCONHECEMOS ESTA ENTIDADE

O Texto Bíblico do Livro de Ezequiel, no capítulo 28 v 12 a 19 mostra que Satanás era um anjo que se rebelou, posto que queria estar acima de Deus. Em razão disso, o mesmo foi expulso do Éden.

Esta passagem bíblica demonstra o quanto o cristianismo explora a existência do bem e do mal, numa visão maniqueísta, atribuindo todo bem a Deus e todo mal ao demônio, lúcifer, diabo, satanás, ou qualquer outra nomenclatura criada para caracterizar tal entidade.

A referida divisão do mundo entre o bem e o mal, tão difundida há tempos, encontra-se presente também nas mais singelas concepções defendidas pela Igreja Católica. Como exemplo, podemos citar a visão maniqueísta presente na própria concepção da relação sexual. Expliquemos: para os católicos tal prática possui uma única finalidade, a procriação. Desta forma, toda manifestação sexual que não tem este objetivo é interpretada como um dos sete pecados capitais, a luxúria (apego e valorização extrema aos prazeres carnais, à sensualidade e sexualidade; desrespeito aos costumes; lascívia) passível de condenação ao inferno, espaço eterno de sofrimento, comandado pelo mal, tendo o demônio como o seu comandante e sedutor de almas...

Categoria Abrindo o jogo
Livro Religioso Casa de Oxumarê

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