Entrega do presente à Yemanjá no Rio Vermelho concluiu o ciclo das festas de março na Casa de Oxumarê
Oxóssi, Ogum e Yemanjá foram os três orixás homenageados pela comunidade da Casa de Oxumarê durante o mês de março. As obrigações começaram na madrugada do dia 08, com o osé (cerimônia na qual os iniciados vão buscar água na fonte sagrada para cultuar e servir as divindades). Ainda bem cedo, antes do romper do dia, horário em que os caçadores vão para as matas, o oró( cerimônia de oferendas) foi realizado e todos rogaram proteção e prosperidade em suas vidas ao caçador de uma única fecha, porém certeira.
Dois dias após a festa de Oxóssi, foi a vez de Ogum Dekisi, o orixá da saudosa Yá Simplicia ser celebrado. Foi uma festa emocionante, as agbás (anciãs da Casa), filhas da antiga Yolorixá, tomaram a frente de todos preparativos para saudar a divindade. "Tenho muito orgulho de ser filha de Ogum Dekisi. Faço questão de vim para essa festa, é o momento que temos para relembrarmos de nossa Mãe Simplicia e do nosso Pai Ogun, que sempre nos guiou em bons caminhos", conta Mãe Nilza de Ogum.
Já no dia 17, foi a vez de Yemanjá ser celebrada. A comunidade realizou uma grande festa em homenagem a mãe d´água, rainha do mar, divindade responsável pelo equilíbrio mental e ainda o orixá da Yalorixá Nilzete, mãe biológica de Babá Pecê, o atual sacerdote responsável pela Casa de Oxumarê. Yá Nilzete assumiu o terreiro após a partida de sua mãe, Yá Simplícia para o Orum. A festa aconteceu em clima de total harmonia e tranqüilidade. Logo cedo, os filhos da Casa foram carregar água na fonte sagrada, prepararam a casa de Yemanjá e após o café da manhã o oró foi realizado. À noite, o barracão estava repleto de autoridades religiosas. Sacerdotes e sacerdotisas de outras Casas de Axé fizeram questão de saudar Yemanjá. "Essa festa me emociona demais. Lembro de minha mãe e é como se eu pudesse reviver todos os momentos bons que tive com ela", conta Babá Pecê.
Além das festas dos três Orixás já citados, março também foi celebrado por ter sido o mês da obrigação de 40 anos de axé da Yákekeré da Casa, egbon Sandra de Yemanjá que completou mais um ciclo religioso. "Me sinto especialmente grata a esta Casa por me dar a oportunidade de viver um momento tão valoroso na minha vida religiosa, agradeço a cada um de vocês que aqui estão", destacou egbon Sandra.
Para encerrar o ciclo das festas de março, um grande presente foi entregue para Yemanjá nas águas do mar. Em cortejo, os filhos, familiares e amigos da Casa de Oxumarê seguiram em direção a um dos bairros mais tradicionais de Salvador, o Rio Vermelho, e entregaram suas oferendas para a senhora das águas litorâneas.
As obrigações permanentes seguem. Todas as quartas-feiras o amalá de Xangô é ofertado e nas sextas-feiras o ebô de Oxalá. Em junho, a Casa retoma seu ciclo festivo religioso será a vez de Oya, Xangô e sua família serem homenageados.
Atos de racismo e de desrespeito as religiões de matrizes africanas foram combatidas durante o Carnaval de Salvador
Orientar e educar ao folião do carnaval de Salvador para evitar atos de discriminação racial e de desrespeito as religiões de matrizes africanas. Estas foram as principais tarefas de Sivanilton Encarnação, mais conhecido por Babá Pecê de Oxumarê, durante os seis dias que trabalhou no Observatório da Discriminação Racial, Violência contra a Mulher e LGBT, órgão vinculado a Secretaria Municipal da Reparação.
De acordo com Babá Pecê, a experiência do observatório serve para chamar atenção da população sobre os incidentes que acontecem durante todo ano e pelo fato da maior festa de rua do planeta, o carnaval, ter uma grande cobertura midiática ficam ainda mais evidentes.
"A folclorização das religiões de matrizes africanas é uma constante. Portanto, cabe a nós, povo de santo, criar estratégias que impeçam que isso se naturalize ainda mais. O meu trabalho era justamente esse, educar e explicar a importância do respeito ao que é sagrado para nós", explica Babá Pecê.
Ainda segundo o babalorixá, foram identificados, nos três circuitos do Carnaval, o uso indevido de ferramentas sagradas e até mesmos pessoas vestidas como orixás, o que fez que ele tivesse que recolher alguns objetos durante a festa. "Situações, como essas, são constrangedoras para nós do axé. Isso demonstra total desrespeito e banalização da nossa religiosidade", complementa.
Observatório - O Observatório da Discriminação Racial, da Violência contra a Mulher e Combate a Homofobia é um programa que tem como objetivo mapear dados que comprovem a existência de ações discriminatórias, sejam elas raciais, de gêneros ou homofóbicas. Este ano, foram registradas 459 denúncias de casos de discriminação. A maioria (288) ainda é relativa ao racismo. Em seguida, vem os atos de violência contra a mulher com 153 ocorrências e os casos de homofobia com 18 denúncias.
Ilé Osogbo é reaberto após três anos de luto
Após a realização do Asèsè em memória os três anos de falecimento de Mãe Délia, Bàbá Pecê juntamente com as autoridades presentes se reuniram no salão principal do Ilé Osogbo para saberem o destino da Casa. Enquanto a comunidade aguardava ao lado de fora os sacerdotes consultavam a vontade dos Òrìsà, principalmente a de Òsún para com o destino do Terreiro.
Após aproximadamente 1h, as portas do salão foram abertas e o Bàbálòrìsà Pecê fez o pronunciamento: "A escolhida para perpetuar o legado de culto aos Òrìsà e ancestrais, é uma filha de Ògún, Erisvanda dos Santos, Nica de Ògún". No mesmo instante seu Òrìsà se manifestou, e foram entoados cânticos com votos de felicidade e Asé para a nova Ìyálòrìsà do Ilê Osogbo.
Na noite do dia 4 fevereiro de 2012, Bàbá Pecê, Bàbálòrìsà da Casa de Òsùmàrè, e as Agbá Walquíria de Òsun e Bete de Òsàlà, juntamente com o Bàbá Egbe, Leandro de Òsùmàrè, sentaram Erisvanda de Ògún no trono e a apresentaram para a sociedade do candomblé como Ìyálòrìsà. "Se Torna Ìyálòrìsà é mais que um compromisso religioso, é ser Mãe da sua comunidade e dos que se agregarem a ela", declarou Bàbá Pecê no momento que a sentou ao trono.
A cerimônia marcada por emoção e preceitos do culto aos Òrìsà, contou com a presença de autoridades religiosas das mais diversas Casas de candomblé além dos amigos e familiares que vieram prestigiar a posse da Ìyálòrìsà. Assim que Bàbá entoou os primeiros cânticos que a declamava como Ìyálòrìsà, Nica de Ògún foi tomada pela presença do seu Òrìsà. A energia foi tamanha que contagiou toda a comunidade presente.
História - Fundado em 1963, o Ilé Osogbo foi comandado por mais de 40 anos pela Ìyálòrìsà Idalice Pereira dos santos, conhecida carinhosamente como Délia de Òsún, esposa de Ogan Erenilton, um dos mais velhos e respeitados Alagbes da Bahia. Em pouco tempo, pelo respeito de Ìyá Délia o Ilé Osogbo tornou-se uma das Casas de candomblé mais notórias do bairro do Engenho Velho de Brotas, Salvador, Bahia, já que além das funções religiosas, sempre desenvolveu diversos trabalhos sociais com a comunidade do bairro e adjacências.
Porém em 25 de dezembro de 2009, seus atabaques foram silenciados em virtude do falecimento de Mãe Delia de Òsún. A partir daí seus filhos biológicos juntamente com a comunidade tomaram a frente da Casa e se encarregaram de organizar os Asèsè "rituais fúnebres" que foram conduzidos pelo Bàbálòrìsà Pecê.
Ègbón Nica é filha biológica de Mãe Délia e Mestre Erenilton; foi iniciada há 30 anos, em fevereiro de 1981, pelas mãos da saudosa Ìyálòrìsà Nilzete de Yemanjá na Casa de Òsùmàrè, onde sempre teve uma excelente postura e conquistou a confiança de todos seus mais velhos. Ao longo de sua vida religiosa foi adquirindo conhecimento que a tornou capaz de hoje assumir o posto o qual foi designado a ela.
Babá Pecê dá a benção e as boas vindas à Representação do Ministério da Cultura na Bahia
O Ministério da Cultura inaugurou, na última sexta-feira (20/1), sua Representação Regional na Bahia, localizada no bairro do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Para representar a sociedade civil e abençoar a sede, o Baba Sivanilton Encarnação da Mata, atual Babalorixá da centenária Casa de Oxumarê, foi o convidado pelo Minc para dar as boas vindas ao ministério no estado.
Líder espiritual de um dos mais antigos e respeitados terreiros de candomblé do Brasil, Babá Pecê fez a abertura da cerimônia e falou para a platéia, composta de autoridades, políticos e artistas locais, sobre a importância das políticas culturais para a preservação e fomento da cultura afro-brasileira.
"É um grande avanço a implantação de um braço do Ministério da Cultura no nosso Estado. A Bahia é um celeiro cultural e precisa de mais apoio. Tenho certeza que a partir de agora novas políticas públicas serão criadas e com isso podemos garantir a preservação da nossa história", afirmou o sacerdote.
Representando a ministra Ana Holanda na solenidade, o secretário Nacional de Fomento e Incentivo a Cultura, Henilton Parente de Menezes, afirmou que a inauguração do escritório do Minc na Bahia é o reconhecimento da contribuição do Estado para todo o país. "A Bahia sempre nos presenteou com grandes ícones das mais diversas vertentes culturais. Tenho certeza que grandes parcerias serão firmadas", disse o secretário.
Ações - As Representações Regionais têm a responsabilidade de implementar e acompanhar as políticas públicas culturais, divulgação de informações sobre os programas, projetos e atividades do Ministério, orientação da sociedade civil quanto aos serviços prestados, auxilio na articulação com os órgãos federais, estaduais, municipais e entidades privadas, incluindo empresas, instituições culturais e o terceiro setor; dentre outras competências.
Celebração a ódùdúwa
Cânticos milenares que retratam e agradecem a criação do mundo são o eixo central da celebração a Ódùdúwa que aconteceu neste domingo, 15 de janeiro. Mesmo sendo a terceira festividade pública, é uma das mais importantes cerimônias que compõem o ciclo de comemorações aos Òrìsà Funfun, que têm início na primeira sexta-feira do ano e perdura por 16 dias.
Os Òrìsà Funfun são aqueles que vieram com Òbàtálá, o primeiro Òrìsà a ser criado por Òlódùmàrè (Deus único da religiosidade e cultura Yòrúba) ou posteriormente, se juntaram ao grupo, ou diretamente a ele. Praticamente são considerados como um clã, uma família que se vincula por ter a pureza como base de sua existência. Em seus ritos o uso de elementos e oferendas da cor branca os distingue dos demais Òrìsà.
Odùduwà ocupa um lugar proeminente dentro do panteão dos Òrìsà Funfun, estando ligada diretamente a Òbàtálá, pois cada um representa uma metade do Igbádù - a cabaça da existência.
A Odùduwà é atribuído o mérito da criação do mundo, uma vez que Òbàtálá não havia conseguido concluir a função que lhe fora designada por Òlódùmàrè. Não tendo feito as oferendas necessárias antes de sair em sua missão, Òbàtálá despertou a ira de Èsù, que por sua vez lhe induziu uma grande sede. Então decidindo saciar-se com vinho de palma, Òbàtálá adormeceu em baixo da palmeira, fazendo com que Òlódùmàrè delegasse a incumbência da criação do mundo a Ódùdúwa.
A saga da criação do mundo é contada através da "Roda de Ódùdúwa" uma sequência de cânticos sagrados, entoados somente na ocasião em que esta divindade é exaltada, conferindo à cerimônia um valor único e atraindo pessoas de todos os lugares.
E assim ocorreu mais uma vez, por meio da roda de Ódùdúwa, entoada por Bàbá Pecê, a comunidade e as diversas pessoas presentes agradeceram a Deus pela existência do mundo.
Águas de Oxalá
Em entrevista exclusiva, Mãe Cotinha de Òsàlà, Ìya Làse e Mãe Bete de Òsàlà, Ìyá Efun da Casa de Òsùmàrè, relatam como ocorreu a celebração Àwón Omi Òsàlà - "Águas de Oxalá" e explicam a importância da cerimônia para os iniciados e adeptos do Candomblé.
- Mãe Cotinha, em primeiro lugar sua benção!
Meu filho, Òsàlà o abençoe e encha a vida de todos vocês de alegria, sabedoria e seriedade. Meu filho, no candomblé tem que ter seriedade!
- Mãe Bete, sua benção. Em que consiste esta cerimônia das "Águas de Oxalá"?
Meu filho, que o alá de Òsàlà mesmo, cubra a todos vocês! Que o Senhor do dia de hoje dê paz, caminho e boa sorte!... As Águas de Òsàlà são um dos mais longos e belos rituais do Candomblé. Aqui é rememorada a saga de Òsàlà, concebido como pai de todos os Òrìsàs. Nossos antepassados nos transmitiram que Òsàlà fez uma viagem para visitar seu filho Sàngó, só que a viagem havia sido desaconselhada pelo Bàbáláwo. A persistência de Òsàlà e o desejo de ver o filho foram maiores. No decorrer da viagem, por três vezes, Èsù dificultou o caminho, sujando-lhe as vestes. Quando chegou ao reino de Sàngó, Òsàlà foi confundido com um ladrão de cavalos e foi injustamente preso. Aí permaneceu por sete anos, período no qual o reino de Oyó passou por inúmeras e graves dificuldades. Sàngó foi consultar o Bàbáláwo e este lhe disse que, naquele reino, estava sendo cometida uma injustiça. Sàngó teria que libertar um prisioneiro que estava ilegalmente preso há sete anos. Trouxeram Òsàlà à presença de Sàngó que logo o reconheceu e libertou. Sàngó pediu perdão a Òsàlà e ordenou que todas as pessoas do reino carregassem água para que pudessem banhar Òsàlà e se penitenciar do erro cometido! É por isso que as águas representam a purificação e penitência quanto aos erros que nós cometemos, durante a vida!
- Mãe Cotinha, como acontece esta cerimônia das "Águas de Oxalá" na Casa de Òsùmàrè?
Na Casa de Òsùmàrè, conforme a tradição, as Águas se iniciam na primeira quinta feira do ano, ao anoitecer, com a procissão de Oxalá até ao "Bàlotìn" – uma pequena cabana construída com folhas de palmeira. A partir deste momento, o silêncio na casa é obrigatório, em memória ao sofrimento de Òsàlà, durante a prisão. Na madrugada de sexta-feira, faz-se a procissão do transporte das águas, em quartinhas para o banho de Òsàlà! O trajeto é feito pela escadaria da Casa de Òsùmàrè, desde a fonte na Avenida Vasco da Gama até o alto da colina, em frente ao barracão. No domingo, celebra-se o Pilão de Òsógìyán. Os festejos se estendem aos dois domingos seguintes, quando são reverenciados Òdúdùwá e Olúfón.
- Mãe Bete, por que as pessoas se vestem de branco nas "Águas de Oxalá"?
O branco simboliza a pureza e a simplicidade, características de Òsàlà e de seus filhos. Além disto, o branco é a junção de todas as cores e Òsàlà é também sinal de união e paz! As roupas brancas representam o compromisso com o Òrìsà, que exige o sacrifício de quem as usa para mantê-las alvas!...
- Mãe Cotinha, por que a restrição de fotografia no decorrer desta cerimônia?
É o nosso sagrado, é o momento religioso no qual estamos em contato com o divino. Esses momentos, essas cerimônias são extremamente sagradas e não podem ser fotografadas, muito menos filmadas.
- Então, Mãe Cotinha, a gente pode entender que a mística acontece no mundo espiritual, que não pode ser percebido pelas lentes de uma máquina, mas somente sentido pela ótica da espiritualidade?!
Isso mesmo, meu filho! A máquina fotográfica não consegue mesmo reproduzir a energia do Òrìsà, não consegue captar o Àse!
- Mãe Bete, o que a senhora achou das "Águas de Oxalá" do ano de 2012, na Casa de Òsùmàrè?
Já fizemos a procissão das águas, nesta madrugada. Olhe, meu filho, foi uma das mais bonitas dos últimos tempos! Foi mantida a tradição e todos os preceitos exatamente como fazia minha Mãe Simplícia. Este ano vieram muitos filhos e filhas da Casa, bem como de outras casas, tanto da Bahia como de outros estados, de todo o Brasil! A escadaria da roça ficou pequena com tanta gente!.. Foi preciso fazer caracol de pessoas no pátio de frente do barracão! ...
- Mãe Cotinha, a senhora gostaria de deixar uma mensagem para os nossos leitores?
Sim, que sejamos persistentes em nossos sonhos, como Òsàlà! Que nunca desistamos deles!... Que saibamos viver a pureza, preservando a vida, e o respeito ao próximo! ÀSE...
Exu sinônimo de festa e alegria
Após a cerimônia religiosa em louvor a Exú, ao som do tradicional samba de roda de Terreiro, a festa seguiu madrugada a dentro. A percussão ficou aos cuidados do grupo Fogueirão que, junto com a comunidade do Terreiro, cantavam os sambas que são patrimônio imaterial da humanidade desde 2005, quando o samba de roda foi tombado pela Unesco.
A festa, que atraiu centenas de pessoas, teve início logo após a conclusão da cerimonia religiosa em louvor a Orixá Exú. O banquete de Exú foi compartilhado com todos os presentes. Um delicioso xinxim de galinha, acompanhado por uma saborosa farofa de azeite, foram saboreados por todos os participantes da linda homenagem a Exú, que ocorreu nesta primeira segunda feira do ano, dia 2 de janeiro de 2012.
Esta distribuição de alimentos é uma característica típica dos Terreiros de candomblé e acontece depois dos rituais internos, quando os sacerdotes ofertam as energias existentes nos alimentos para as divindades. "Após os rituais as carnes e alimentos são destinados ao festejo. O candomblé compreende o poder da vida e sabe o quanto ela é sagrada... comemos a carne, mas, antes, e de forma cuidadosa, reverenciamos aquela vida e aproveitamos a energia existente nela", explica Ogã Tinho.
E assim ocorreu, galos, bodes e comidas típicas do candomblé, como o acarajé e o abara, que, hoje, são parte da culinária baiana, foram oferecidos a Exú, o Orixá do principio, do dinamismo, do transcurso de múltiplos e variados destinos e Guardião do templo, "o Terreiro de candomblé". Ele é o primeiro a receber as oferendas pois Exu é o responsável pela comunicação entre os seres humanos e os demais Orixás, esta é a razão pela qual ele recebe o título de Orixá mensageiro.
Àse Esù yóò bá o gbé làyè! (Que a energia de Exu acompanhe você por toda a vida!)
Laroye Esù!
A última quarta-feira de 2011 foi dedicada em agradecimentos á Xangô
Para agradecer a vitória de atravessar mais um ano e por todas as graças alcançadas em 2011, a Casa de Oxumarê ofertou nesta quarta-feira, dia 28, o último amalá do ano para Xangô, o Orixá da justiça. A cerimônia, que além dos filhos e filhas de santo da Casa, contou com a participação de centenas de amigos e de autoridades religiosas de outros templos, além de autoridades civis. Ao som dos milenares cânticos e toques por volta das 20h, o senhor do fogo e do trovão era evocado na Casa de Oxumarê. O amalá, comida sagrada feita a base de quiabos, azeite de dendê e camarões, um dos pratos prediletos deste poderoso Orixá, foi distribuídos entre todos os presentes.
O ritual da oferta do amalá começa cedo, antes mesmo da comida ser distribuída entre todos os presentes, é necessário que cada integrante da comunidade e as visitas se descansem por um período, tomem banhos de folhas e em seguida sejam incensados. "É fundamental que purifiquemos nossa alma e mente antes de entrarmos em sintonia com a natureza, antes de louvarmos os Orixás", explica Baba Pecê.
Pelas mãos da Ìyá Nirere da Casa de Oxumarê, Egbom Nice de Yansã, a gamela com quiabos cru, que simboliza a aliança e a perpetuação da oferenda no próximo ano, 2012 foi ofertada para Xangô, momento alto da cerimônia. Filha de santo do Terreiro da Casa Branca, Ìyá Nice exerce o posto de conselheira dos filhos e filhas de santo da Casa de Oxumarê, sendo ela a responsável em transmitir a boa educação à comunidade Oxumarê. Esta relação atesta que além da proteção dos Orixás a união entre as Casas mais antigas foi e continua sendo sua formula de resistência e continuidade desta profunda religião chamada candomblé.
Tradição
A oferenda do amalá já é uma tradição na Casa de Oxumarê acontece fielmente todas as quartas-feiras do ano, com exceção dos 16 dias de Oxalá, em Janeiro, quando a Casa não faz uso de azeite e durante agosto, haja vista, que é o mês dedicado para louvar Obaluaê e é nesta época que são realizadas as suas grandes celebrações, o Olubajé. As mitológicas disputas e duelos para assumirem o governo da Terra e o titulo de rei entre Xangô e Omolu são, em verdade, os motivos para que não existam oferendas nem rituais sacros nos períodos dedicados um ao outro. Xangô não pode ser celebrado em agosto, pois é a época na qual Omolu e sua família são homenageados.
Em grande festa Ògún e celebrado em São Paulo
Uma grande celebração a Ògún marcou a noite de 3 de dezembro de 2011, no município de Taboão da Serra, São Paulo. Um número próximo a 300 pessoas, estiveram presentes ao Ìle Àse Òju Ònire, uma das mais tradicionais casas de candomblé do estado, para homenagear o Òrìsà da Ìyálòrìsà Ana Maria Araújo Santos, (Mãe Ana de Ògún).
Mãe Ana pertenceu ao quinto barco de filhas de santo da Ìyálòrìsà Simplícia, foi iniciada em 24 de maio de 1960, juntamente com Elza de Òsósí, Walquiria de Òsùn e Bete de Òsàlà. Mãe Ana tornou-se uma eminência, foi à primeira Ìyálòrìsà a receber o Diploma de Gratidão e a medalha Anchieta da cidade de São Paulo. Estas honrarias são fruto e reconhecimento pelo trabalho religioso e social desenvolvido por ela.
A cerimônia conduzida pelo Bàbálòrìsà Pecê juntamente com as agbás (anciãs) da Casa de Òsùmàrè, contou com grandes personalidades do candomblé paulista, não faltando à presença de políticos e intelectuais que vieram receber o Àse de Ògún.
Expondo retratos pelo salão principal do Terreiro, Mãe Ana prestou uma singela homenagem aos ancestrais da Casa de Òsùmàrè, em especial, em memória da sua Ìyálòrìsà Simplícia de Ògún e o irmão Bàbá Felipe de Òsósí, mais conhecido como Tio Carlito. Esta ação emocionou os integrantes da família Òsùmàrè. "Ana é uma filha fiel a Casa de Òsùmàrè, são 51 anos de dedicação e amor. Um exemplo a ser seguido" – emocionado ressaltou Bàbá Pecê.
Bàbá Pecê aproveitou o momento e pediu aos adeptos da religião que refletissem sobre a importância de se mobilizarem no intuito de combater o projeto de Lei 992/11 – do deputado Feliciano Filho (PV-SP). O projeto ainda está em tramitação na assembléia legislativa do Estado, mas se chegar a ser sancionada será um contrassenso, já que vai comprometer a continuidade do culto milenar aos Òrìsàs, um direito garantido e assegurado pela Constituição Brasileira.
Envie Sua Notícia
Para postar notícias e informações de interesse e utilidade pública envie sua notícia para comunicacao@casadeoxumare.com

