Sou do candomblé, porque não assumir?

 Edelamare Melo

Procuradora Regional do Trabalho

Iniciada para Xangô, filha de santo da Casa de Oxumarê.

"Tenho muito orgulho de professar a religião do candomblé, seja pelos valores que ela professa, seja pelo histórico de luta  e resistência dos  africanos e afrobrasileiros para preservação do culto aos orixás, o que contribuiu, de forma significativa,  para a formação da identidade cultural da nação brasileira.

Sou filha de Xangô e iniciada pelo Babalorixá Pecê no multissecular Terreiro Ilê Oxumarê Araká Axé Ogodô.

Nasci e fui  criada pelos meus pais em um ambiente de liberdade, o que me permitiu construir a minha fé e religiosidade a partir  de vivências nas  mais diversas práticas religiosas e caminhos de autoconhecimento.

No candomblé e através do culto aos orixás encontrei uma forma especial de convivência comigo mesma e com tudo aquilo no que acredito: na justiça divina, na ética,  na liberdade, na  alegria, na paz, na  vida, na  possibilidade de superar obstáculos aparentemente intransponíveis, na força da natureza e do tempo e, finalmente, na  energia criativa  e na força transformadora de cada ser humano de amar a si mesmo e, portanto,  aceitar e respeitar o outro como um seu igual.

Sou filha de Xangô, o orixá da Justiça, mas trago, na minha essência, a paz, a força, a energia  e a sabedoria de todos os orixás, em quem  confio e recorro para obter as respostas que necessito para seguir adiante na luta pela preservação dos valores nos quais fui criada e acredito.

Como o Orixá para o qual fui iniciada gosto de desafios e, hoje, o maior deles, é lutar pelo respeito ao direito fundamental à inviolabilidade da liberdade de crença e, conseqüente liberdade de culto aos orixás, que,  hoje, como no passado, são alvo de ataques discriminatórios fundados em pre[conceito] e ignorância quanto ao legado do povo africano para construção da nossa identidade nacional. Preconceito e discriminação que atinge  a todos os adeptos do candomblé, dentre os quais me incluo, independentemente de raça, cor, gênero ou espaço social que ocupe.

Por tudo isso assumo com orgulho: "Sou adepta do candomblé, sou da Casa de Oxumarê!"

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